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Fórmula do rejuvenescimento – histórias inspiradoras vividas por profissionais da saúde

Por Janice E. Sato (UNESP FM, Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar)

Uma técnica de enfermagem alisava cuidadosamente os lençóis da cama de uma paciente, uma senhora que tratava de fibrose pulmonar em um hospital público do interior paulista. Mal sabia que seu gesto afetuoso era testemunhado por um dos familiares da paciente, filho dela, que memorizou a cena pelo visor da porta da UTI. Mesmo após a morte da mãe, Denilson (como será chamado) não esqueceu aquela atitude de carinho como se a profissional fosse um membro da própria família. Após 11 anos, Denilson queria homenagear e agradecer a técnica, mas teria um desafio pela frente: como reconhecê-la entre tantos colaboradores do hospital? Existia o risco de que ela nem trabalhasse mais no local. Um sinal foi fundamental para localizá-la. Ele lembrou que no pescoço dela tinha uma ‘tatuagem de Deus’, uma manchinha de nascença em formato de coração. “Em todas as minhas lembranças dos dias finais da minha mãe, há sempre a mão dela alisando-lhe a coberta como quem a aconselhasse a agasalhar-se bem para a sua última viagem”, descreveu Denilson, que conseguiu agradecer a gentileza da técnica de enfermagem entregando-lhe um arranjo de orquídeas roxas. Apesar dos nomes substituídos, a história e o relato são reais e autenticamente envolventes, que foram divulgados em outubro de 2021. 

 

Uma das maiores vulnerabilidades do ser humano é lidar com a única certeza que temos: a morte. Às vezes, é um assunto tão temido, repreendido e acolhido como algo negativo que esquecemos que o maior antídoto está justamente na essência da vida: viver plenamente. Mesmo que a medicina diagnóstica avance e evolua, a fórmula exata do rejuvenescimento processa resultados de formas diferentes para cada pessoa, mas existe um caminho – adotar um estilo de vida equilibrado com uma trinca bem estabelecida: dieta balanceada, prática de atividades físicas e manter relacionamentos sociais saudáveis, ou seja, viver cada dia de forma pulsante e revigorante, sem protocolos rígidos, sem liturgias, nem seguros de perdas e riscos.

 

Um dos casos mais marcantes citados neste texto foi vivenciado no fim da vida de uma senhora, mas outro exemplo inspirador retratado em ambiente hospitalar aconteceu bem no começo da vida, desta vez, aconteceu com duas Marias – a mãe e a bebê prematura de 28 semanas de gestação. A recém-nascida transformou a incubadora em uma luta de ringue. Cada dia era uma batalha pela vida. A pequena Maria nasceu com sopro no coração, teve anemia leve e tinha o estômago um pouco dilatado. A mãe passou por um misto de emoções conflitantes: medo, ansiedade, culpa e tristeza, que culminaram em um final feliz. “Não via a hora da Maria ter alta na UTI, mas queria que fosse no tempinho dela. Agora que está em casa, desejo que a bebê seja gentil, caridosa, paciente e o mais importante, humilde”, revela a ‘Maria-mãe’. 

 

Essas situações vivenciadas pela equipe assistencial que atende pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), tanto nos ambulatórios quanto nas UTIs, são nuances de que a vida é uma linha frágil, mas o que fazemos dela a torna forte, firme, formidável, apesar de ser fugaz. Pergunte a si mesmo e reflita. O que faz seus olhos brilharem? O que motiva acordar cedo? Qual a razão do seu sorriso furtivo no rosto? O que causa a sensação de ter um turbilhão de borboletas amarelas no estômago? O cientista e astrofísico Carl Sagan (1934-1996) afirmava que “viver na memória dos que nos amam é viver para sempre”. 

A autora

A autora é jornalista pela Unesp em Bauru, há 17 anos.  Especializada em Comunicação nas Organizações pela Universidade do Sagrado Coração e com MBA em Gestão Estratégica de Pessoas pela FGV, começou a carreira no jornalismo televisivo (TV Preve e TV Record), atuou como assessora de imprensa em duas agências de publicidade e hoje, divide a jornada de trabalho na equipe de Jornalismo da Unesp FM e na Comunicação Interna da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp).