Falar de Mulheres é falar da essência e significado de força, coragem e luta

Maysa Furlan (UNESP, Academia Brasileira de Ciência, CNPq, CEPID/CIBFar/FAPESP)

Inicialmente gostaria de cumprimentar o GT Mulheres da UNESP, parabenizar e agradecer a oportunidade de contribuir com o Mural de Relatos – 31 dias, 31 mulheres. Parabenizar também todas as Mulheres da nossa UNESP, seus relatos e opiniões. É uma honra compartilhar o mural com mulheres talentosas, criativas e plurais.

Olhar o universo feminino é descortinar lutas e desafios das mulheres pelo direito igualitário de exercerem o melhor de suas habilidades, sem amarras, sem pedir favores. É ter a oportunidade de fazer o seu melhor, de igual para igual.

A igualdade de gênero se configura em um aspecto preponderante para o desenvolvimento de sociedades plurais e justas. Um relatório recente da UNESCO sobre o tema relata que apesar de avançarmos nos últimos anos, a situação ainda é inaceitável para mulheres e meninas em todo o mundo. Mais de 100 mulheres são mortas todos os dias por seus parceiros íntimos ou por um membro da família; 12 milhões de meninas são forçadas ao casamento todos os anos, antes de seu aniversário de 18 anos; 64 milhões de meninas são vítimas de trabalho forçado e mais de 130 milhões de meninas em todo mundo estão fora da escola. É preciso avançar em ações que promovam a igualdade de gênero. O respeito as mulheres e meninas é um assunto inacabado de nosso tempo e um dos maiores desafios de direitos humanos no mundo contemporâneo.

A presença das mulheres na ciência também apresenta desafios e pode ser ilustrada pelos dados do Prêmio Nobel. A proporção de laureadas mostra a intrínseca relação da realidade feminina e o reconhecimento da excelência de seus trabalhos científicos. No período de 1901-2021, 947 pessoas receberam o Prêmio Nobel. Destas, apenas 58 são mulheres.

Muitos estudos mostram o quadro mundial da participação de mulheres em diferentes profissões, incluindo as relacionadas a ciência. É evidente a crescente participação das mulheres no desenvolvimento científico. Em muitas áreas são maioria, e avançam para uma participação efetiva na carreira acadêmica. De toda forma, ainda se deparam com barreiras, especialmente relacionadas a dupla jornada de trabalho que impactam na dedicação às suas carreiras. A pandemia evidencia que, além de seus trabalhos, as mulheres são responsáveis pela gestão, organização e execução de tarefas dedicadas a família. Todos esses desafios, aliados aqueles inerentes às suas carreiras, causam sobrecarga física e emocional. Portanto, o grande desafio é construir novas alternativas que incluam o compartilhamento de tarefas e valorização do trabalho em conjunto, para que as mulheres possam contribuir não somente para o desenvolvimento de sua profissão e sociedade. Como disse Ruth Bader Ginsburg….”As mulheres terão alcançado a verdadeira igualdade quando os homens compartilharem com elas a responsabilidade de criar a próxima geração.”

Ademais, a igualdade de gênero constitui uma alavanca poderosa para o desenvolvimento de sociedades plurais, dinâmicas e justas. Assim, neste momento de desconstrução e obscurantismo, gostaria de destacar uma outra grande mulher e filósofa, Hannah Arendt, que estabeleceu um dos conceitos da filosofia sobre a banalidade do mal ou o conceito do mal radical. Uma de suas célebres frases nos remete ao presente: “vivemos tempos sombrios onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança. Portanto, contribuir para mudar o presente e construir um futuro exige coragem e desafios. Mulheres e meninas são pontes seguras para as soluções desses desafios contemporâneos e devem ser ouvidas, valorizadas e celebradas pois são elos essenciais para um futuro sem barbárie e alimentado pelo avanço da humanidade.

Mulheres, vocês fazem diferença na nossa universidade, são maioria em todas as dimensões. Avancem! Derrubem barreiras! Assumam postos de liderança! Inspirem novas gerações!

A autora

Professora Titular do Instituto de Química da UNESP. Vice-reitora da UNESP. Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Recebeu Medalha Simão Mathias da Sociedade Brasileira de Química por sua contribuição ao desenvolvimento da sociedade e química do país. Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 1ª.

Membro da Coordenação de Área de Química da FAPESP. Pesquisadora principal do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CEPID/CIBFar/FAPESP). Tem experiência na área de Química Orgânica, especialmente relacionada aos aspectos estruturais, biológicos e biossintéticos de
Produtos Naturais, com ênfase em Biologia Sintética. Acesse seu Lattes.